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Liga da Justiça

16 novembro 2017

Críticas

Com mais acertos do que erros, Warner/DC entrega um bom filme.

por: Ramires Silva

Liga da Justiça | Sou Brasília

Depois do controverso Homem de Aço (2013) e do tão amado e odiado Batman vs Superman (2016), o diretor Zack Snyder tinha um enorme desafio e muita pressão sobre o vindouro filme da DC: mudar o tom e a abordagem sombria/realista para algo otimista e esperançoso. E ele conseguiu, depois de Mulher Maravilha (2017), Liga da Justiça de fato chega para dar leveza ao universo expandido dos heróis da DC.

No filme vemos um Bruce Wayne (Ben Affleck) menos rancoroso, apesar de carregar a culpa pela morte de Superman, e disposto a recrutar um grupo de superpoderosos para enfrentar uma grande ameaça que está por vir. Ameaça que em alguns momentos traz uma pequena sensação de perigo, mas não vai além. Steppenwolf, o grande vilão da trama, é mais um antagonista do gênero com motivações rasas e que parece carregar a única função de justificar a aliança dos heróis. Criado a partir da captura facial do ator Ciarán Hinds, foi feito totalmente em computação gráfica, que para os olhares mais atentos não passa credibilidade, principalmente pela falta de sincronia entre os gestos da boca e a voz.

Por outro lado, a abordagem escolhida para o antagonista funciona para o objetivo maior: os heróis. Uns se destacam mais do que os outros, naturalmente, mas todos tem seu momento de brilho. A dinâmica entre eles é o ponto forte do filme. Mulher Maravilha (Gal Gadot) traz uma crescente da sua personagem desde seu filme solo, e funciona como uma conselheira para o grupo. O Flash (Ezra Miller) faz o papel de alívio cômico, e apesar de nem todas suas piadas funcionarem, o personagem tem carisma e entrega os momentos mais engraçados do filme. Aquaman (Jason Momoa) é um personagem com uma abordagem mais badass, renega suas origens, mas seu lado heróico sempre fala mais alto. Além disso ele protagoniza uma das melhores cenas junto com a Mulher Maravilha. Ciborgue parece ser o personagem mais equilibrado quanto ao tom, suas origens de negação quanto ao seu corpo e ao que ele é estão lá, mas em momentos do filme é deixada de lado para se enquadrar na dinâmica da equipe, e isso não funciona como uma coisa ruim. Batman é sem dúvida o que mais mudou de um filme para outro. Agora mais leve, faz piada irônicas, mas ainda funciona como o homem egocêntrico e transtornado, embora isso fique pouco nítido.

Superman (Henry Cavil) é outro grande destaque. Apesar de funcionar quase como um Deus ex machina, ele realmente traz a esperança para o grupo de heróis e para o tom do filme. Finalmente vemos o que é a adaptação mais fiel do símbolo do Superman nos quadrinhos. Isso de fato irá agradar aqueles que reclamaram de um personagem “deprimido” e soturno abordado nos filmes anteriores.

A trilha de Danny Elfman não soa cansativa, mas é pouco inspirada. Como uma reciclagem de velhos temas e empréstimos de outros, faz sentir a falta da abordagem mais moderna de Hanz Zimmer e Junkie XL ouvida em Batman v Superman, mas funciona como background para as cenas de ação.

O roteiro parece ter sido escrito desde do início para ter uma abordagem leve, mas os retoques feito por Joss Whedonque assumiu a direção das refilmagens após a saída de Zack Snyder pela a morte da filha – principalmente nos diálogos, ajudam na dinâmica do grupo e consequentemente no resultado final do filme. Porém a montagem ainda é um problema para os filmes da DC, certos momentos denotam que a as coisas não tinham sido planejadas de tal forma e ordem, como a cena da batalha da antiguidade presente nos trailers: o que poderia ser uma sequência inicial épica, se configura em um flashback narrado e curto que quando começa a ficar empolgante, acaba. Muitas cenas do “estilo snyder” contidas nos trailers não estão no filme e definitivamente o resultado final visto nas telas não é o que o diretor gravou.

Liga da Justiça desperdiça seu potencial de ser o melhor filme de heróis, mas não entrega uma obra ruim. Assisti-lo é como ver um novo episódio da animação que estreou na TV no início do milênio. Diverte, empolga e entrega um bom produto para os fãs menos criteriosos.

7.5 / 10

Ficha Técnica:

Direção: Zack Snyder
Elenco: Ben Affleck, Henry Cavill, Gal Gadot, Ezra Miller, Jason Momoa
Gênero: Ação, Ficção Científica
Trilha: Danny Elfman

Sinopse:

Impulsionado pela restauração de sua fé na humanidade e inspirado pelo ato altruísta do Superman (Henry Cavill), Bruce Wayne (Ben Affleck) convoca sua nova aliada Diana Prince (Gal Gadot) para o combate contra um inimigo ainda maior, recém-despertado. Juntos, Batman e Mulher-Maravilha buscam e recrutam com agilidade um time de meta-humanos, mas mesmo com a formação da liga de heróis sem precedentes - Batman, Mulher Maraviha, Aquaman (Jason Momoa), Cyborg (Ray Fisher) e Flash (Ezra Miller) -, poderá ser tarde demais para salvar o planeta de um catastrófico ataque.

Horários:

Cinemark
Kinoplex

Trailer

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Sobre o autor:

Ramires Silva

Publicitário pós-graduado em cinema que não vive sem música, cinema e uma dose de teoria de conspiração. Reside em Brasília e ganha a vida como designer e developer.

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