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Blade Runner 2049

05 outubro 2017

Críticas

Denis Villeneuve acerta na sequência do clássico cult.

por: Ramires Silva

Blade Runner 2049 | Sou Brasília

Quando a sequência do clássico de 1982 (Blade Runner) dirigido por Ridley Scott foi anunciada, muitos torceram os narizes e temiam pela a qualidade do filme que estaria por vir. A obra cult era quase intocável, mas o responsável por essa enorme tarefa foi o diretor canadense Denis Villeneuve, conhecido pelos ótimos filmes Incendies (2010), Prisoners (2013),  Sicario (2015), e a recente ficção cientifica aclamada Arrival (2016). Villeneuve deu conta do recado e nos entregou um filme que expande os conceitos do primeiro em um tom mais otimista, tornando uma obra diferenciada, ainda que seja uma sequência.

Em um contexto de produção totalmente diferente do original, Blade Runner 2049 teve a seu favor uma base de fãs, teorias, histórias e personagens para se inspirar. Entretanto o roteiro de Hampton Fancher (que também roteirizou o primeiro longa) e Michael Green, seguiu por um caminho lógico, mas diferente do esperado. Nada sobre Deckard (Harrison Ford) ser ou não um replicante ou dúvidas do tipo, aqui nós acompanhamos o policial K, vivido por Ryan Gosling, investigar o passado e fazer uma jornada de autodescoberta sobre o que de fato é ser humano e se realmente replicantes precisam ser um.

O passado que K investiga pode soterrar de vez a sociedade no caos, como a própria sinopse diz. Uma sociedade distópica que já não se apega em falsos valores, vive relações vazias e replicantes disfarçados se misturam aos humanos – ironicamente esses são os que mais possuem um pouco de “humanidade”. Esse tom pessimista do contexto é muito bem representado pela fotografia de Roger Deakins (indicado 13 vezes ao Oscar) que conversa com o background de uma cidade decaída em poluição, mas que ainda possui sua “beleza”. Cada cena é digna de uma moldura, e Villeneuve sabe aproveitar o talento de Deakins nos presenteando com takes longos e contemplativos, mas que não cansam aqueles que sabem apreciar uma boa obra. Então já aviso, esse filme não é para qualquer um.

A trilha sonora Hans Zimmer e Benjamin Wallfisch não soa original, mas sim como uma tentativa de manter a mesma atmosfera criada por Vangelis no primeiro filme, que no fim acaba funcionando. E mesmo assim é possível notar os traços característicos das trilhas de Zimmer, o compositor mais requisitado nas produções de Hollywood atualmente.

As atuações funcionam, Ryan Gosling faz um agente que internaliza possíveis sentimentos na frente de outros – algo parecido com seu personagem em Drive (2011) – e entrega bem o que seu personagem exige, com poucas falas e expressões suaves, mas perceptíveis. Harrison Ford tem pouco tempo de filme, mas faz um dos seus trabalhos mais expressivos. Já a personagem de Ana de Armas, Joy é a mais carismática e a que mais representa a filosofia e questionamentos do filme, a atriz se encaixou bem no papel. O restante do elenco está ok, Jared Leto continua sendo ele mesmo e Robin Wrigh nos entrega uma comandante imponente e humana.

Blade Runner 2049 poderia ser um filme esquecível, ruim ou até mesmo sem o direito de ter existido, mas o que recebemos foi uma belíssima obra cinematográfica que possui seus pouquíssimos defeitos, como alguns diálogos expositivos, mas que suas qualidades se sobressaem fazendo-o um filme único e que justifica seus esforços. Não se apega a elementos do original que possa torná-lo repetitivo ou cópia, e nos entrega um final mais otimista em meio a um cenário péssimo.

9.5 / 10

Ficha Técnica:

Gênero: Ficção Científica
Direção
: Denis Villeneuve
Trilha: Hans Zimmer, Benjamin Wallfisch
Elenco: Ryan Gosling, Harrison Ford, Robin Wright, Jared Leto

Sinopse:

Trinta anos após o primeiro filme, o policial K (Gosling) desenterra um segredo que pode mergulhar o que sobrou da sociedade em um caos.

Trailer

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Sobre o autor:

Ramires Silva

Publicitário pós-graduado em cinema que não vive sem música, cinema e uma dose de teoria de conspiração. Reside em Brasília e ganha a vida como designer e developer.

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