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Alien: Covenant

11 Maio 2017

Críticas

Ridley Scott entrega um filme com a sensação que podia ser melhor.

por: Ramires Silva

Alien: Covenant | Sou Brasília

Em 2012, um novo filme da franquia Alien chegou aos cinemas. O diretor responsável pelo primeiro filme, Ridley Scott, assumira o longa com a promessa de entregar a verdadeira origem e história do enigmático “Space Jockey“. Mas apesar de expandir conceitos, a execução ficou a desejar para muitos. Havia muito mito e pouco Alien, o filme não agradou os adeptos dos gêneros mais enraizados do primeiro filme, o gore e o terror. Alien: Covenant é a continuação direta do filme Prometheus (2012), e dando ouvidos às críticas, Scott procurou mesclar os conceitos novos criados 5 anos atrás e, ao mesmo tempo, resgatar a atmosfera do primeiro Alien, como o próprio alienígena e o gore.

Entretanto as principais características e respostas que o público esperava do desfecho de Prometheus, foram abordadas de maneira rápida e boba – os engenheiros não estão nesse filme, personagens que são base da narrativa do anterior. Aqui acompanhamos uma história perdida, que parece não saber qual caminho seguir, tentando buscar um meio termo que não deveria existir ou foi mal planejado (provavelmente a segunda opção).

As decisões das personagens soam ofensivas ao desafiar o senso crível do espectador. Astronautas dispostos a abandonar um plano traçado com anos de estudos por uma alternativa básica e misteriosa, explorando um planeta sem qualquer proteção e colocando em risco a vida de 2 mil colonos hibernados – essa não é uma premissa básica de um filme de ficção científica. A especialista em terraformação Daniels, interpretada pela atriz Katherine Waterston, parece uma tentativa de trazer elementos de Ripley, a personagem do primeiro filme de 1979, onde cada ação sua se torna forçada para criar empatia, mas não funciona. E ela que deveria ser a protagonista, perde todo o destaque pro verdadeiro elemento principal do filme, o androide antagonista David, interpretado pelo brilhante Michael Fassbender, que também interpreta um androide melhorado chamado Walter. Apesar do filme levar no título o nome da “criatura perfeita”, não me espantaria que ele se chamasse David. Todo o enredo gira em torno da personagem de Fassbender, que tem o desejo e agora o poder, de assim como seu criador, criar.

Como background, esse é o ponto em que o filme funciona: a relação entre David e os humanos eu seu desprezo pelos mesmos, capaz de descartar todos ao seu redor para cumprir sua agenda, levantando diversos questionamentos e livrando o filme da mediocridade para os mais atentos. Grande parte do mérito pode ser dedicado a Fassbender, que entrega uma das melhores atuações da sua carreira – a cena em que ele contracena com ele mesmo é brilhante. Já para a maioria, o filme apresenta pelo menos 30 minutos de boas cenas, e uma sequência chama atenção, pois ela reflete tudo o que filme deveria ter sido e não foi. A sequência em questão se dá quando a tripulação de Covenant se depara com sua primeira infecção, o momento que relevamos todas as decisões dúbias das personagens e assistimos e sentimos os momentos de agonia e muito sangue. É a hora em que vemos o nascimento das primeiras criaturas do filme que resolvem virem a tona da pior maneira possível, um deleite para qualquer fã de Alien e um momento tenso para os demais.

O visual do filme é impressionante, como todo filme de Ridley Scott, que gosta de abusar dos efeitos práticos e imergi seus atores em sets realistas gigantescos. Entretanto algumas decisões são questionáveis, o CGI da criatura poucas vezes passa senso crível e alguns planos abertos da nave Covenant parecem ser modelos 3D para maquetes. Para os olhos mais detalhistas, pode ser um incomodo, mas não pode incomodar como outras escolhas da narrativa. A trilha sonora de Jed Kurzel e Marc Streitenfeld ajuda nos ambientar no mundo de mistérios da franquia e faz alusões a atmosfera do primeiro filme 1979, mas apesar de funcionar muito bem, não se torna marcante.

Alien: Covenant irá dividir opiniões, principalmente entre os fãs de Alien, mas ainda assim precisa ser conferido e pode se tornar, no mínimo, uma experiência interessante e instigante ao fim do filme para aqueles que captarem o discurso filosófico (embora possa ser um pouco repetitivo e raso) contido nele.

 

7.8 / 10

Ficha Técnica:

Direção: Ridley Scott
Roteiro: John Logan
Elenco: Michael Fassbender, Katherine Waterston, Billy Crudup
Gênero: Ficção Científica, Terror

Sinopse:

A nave colonizadora Covenant, descobre o que a tripulação acredita ser um paraíso inexplorado, mas na verdade é um mundo escuro e perigoso.

Trailer

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Sobre o autor:

Ramires Silva

Publicitário pós-graduado em cinema que não vive sem música, cinema e uma dose de teoria de conspiração. Reside em Brasília e ganha a vida como designer e developer.

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